quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

CENÁRIO FUTURO, QUASE PRESENTE!

Me permito fazer um exercício de futurologia. Vejo uma construção que parece uma daqueles edifícios projetados por Niemeyer, mas com alguns toques mais telúricos. Dentro do edifício, atividades artísticas de todas as modalidades acontecem. Na galeria principal, uma exposição de quadros e esculturas que integram o circuito nacional de exibições, no teatro a Cia municipal ensaia uma peça multimídia, que mistura música, vídeo, dança e artes plásticas. A cia municipal foi convidada a viajar por todo o país, pela alta qualidade atingida, com patrocínio de uma grande multinacional sediada na cidade. Em volta deste prédio maravilhoso, vejo quadras onde as pessoas praticam esportes, onde os namorados passeiam de mãos dadas e onde se pode conviver com a natureza , respirar ar puro e vislumbrar uma vista maravilhosa da cidade. Muitos podem pensar: - essa cara está viajando na maionese. Mas aí é que está. Esse futuro está muito próximo de acontecer. Tô até com vontade de soltar uns foguetes. O atual Secretário da Cultura, Luciano Roza, acaba de me mostrar o projeto do novo Centro Cultural e Turístico de João Monlevade. Fiquei maravilhado! A comunidade artística de João Monlevade terá um espaço à altura da importância que a cidade tem como catalizadora de várias culturas, como polo onde tantos caminhos se encontram. O Luciano tem os pés no chão. Até me falou que está pensando em algumas correções no projeto inicial para diminuir custos, mas se eu fosse ele não mexia em nada. Ele me explicou que a primeira parte do dinheiro está saindo por intermédio de emenda do deputado Zé Fernando, que é amigo do nosso prefeito, uma parceria que vem dando frutos muito importantes para a cidade, como no caso do centro olímpico que também começará a ser construído já no inicio do ano. Pois é. Depois de um ano dificil, são muitas noticias boas pra gente virar o ano com perspectivas muito positivas.Agora, vamos fazer contagem regressiva para o inicio das obras. Todos os artistas devem não apenas ficar de olho, como fiscalizar, para garantir que o centro cultural saia do papel o mais rápido possível e possa se constituir numa grande “incubadora” das artes, espaço de efervecência, interação e difusão das nossas coisasE para finalizar, gostaria de deixar o meu agradecimento aos leitores pela atenção, pelo carinho com que me abordam para comentar sobre a coluna. Comecei com uma perspectiva apenas cultural, mais restrito até ao universo musical, mas depois vislumbrei outros cenários afins e percebo que foi muito importante abrir o leque. O ano de 2009 foi muito bom e sinceramente tô com um otimismo pra 2010 que nem cabe em mim. E como só vamos nos encontrar reencontrar em janeiro, desejo a todos um natal de sentimentos reciclados e um ano novo cheio de positividade e tesão pela vida.

TRIBUTO À QUALIDADE

Quando ouço a palavra tributo, fico meio ressabiado. Dá uma sensação daquela coisa de show póstumo, de homenagem aos ídolos que já se foram, com direito a homenagens, discursos e algumas lágrimas. Quando me convidaram para assistir ao Show Tributo a Cazuza, em princípio fiquei com essa sensação, mas aos poucos alguns acontecimento foram me dobrando. Na realidade, eu já vinha conversando com a Samira, produtora do evento pelo msn há algum tempo. Ela me contactou exatamente por causa da coluna aqui no Bom Dia. Ela me pareceu bem articulada e veio me rodeando(rs), me seduzindo ( no bom sentido) com suas gentilezas e quando foi à comunicação da prefeitura e me deixou alguns ingressos de cortesia, pensei comigo:- Ok! Vou lá. Mesmo que for pra ficar por um momento, assistir um pedaço do show e devolver a cortesia. Ainda mais quando fiquei sabendo que o Guilherme Bahia, guitarrista da melhor cepa iria participar, tocando sua guitarra sempre original. Assim foi passando o dia e sai direto da comunicação e fui para o Sindicato dos Metalurgicos. Chegando à porta, vi um sujeito vestido de pinguim (rs) muito bem trajado e pensei comigo: Puxa vida. Eles estão mesmo gastando. Colocaram recepcionista de terno. Mas quando me aproximei, percebi que se tratava do onipresente repórter Guilherme de Assis. Adentrei o espaço com o Klark Kent de Monlevade e já fui recepcionado na porta pela Samira, toda feliz, pois tudo ia ás mil maravilhas. Já no interior, fiquei muito bem impressionado com a organização, com o público muito bem comportado, com tudo que vi.Quando falei que queria falar com o Guilherme Bahia, a Samira me levou para os Bastidores e foi ai que me senti em casa mesmo. Chegando lá encontrei o Julio Sartori, meu companheiro de prefeitura e colega músico roqueiro. Quando nos encontramos, foi um festival de besteirol, principalmente com as brincadeiras do Clark Kent. Nos bastidores fui apresentado aos jovens músicos do projeto, novíssima geração de excelentes artistas que me pareceram bastantes concentrados. Antes da apresentação, tive oportunidade de assistir a uma preleção da "treinadora" Samira, que teve de passar algumas reprimendas. Depois houve uma oração e...hora do show. Fui pra frente do palco assistir o espetáculo e a qualidade do som estava ótima, principalmente se considerarmos que o show não foi com banda, mas semi acústico, com os instrumentos plugados, mas sem o apoio pesado de uma banda com batera e intenção de tocar rock. Gostei dos músicos, das participações, de tudo no geral. Desfilaram no mínimo uns 15 artistas, entre cantores da nova geração e alguns veteranos também. Meus únicos senões foram que algumas canções, em minha opinião, casam melhor com vozes masculinas, pois as letras são masculinas ( mesmo com o confesso homosexualismo do autor). Outra coisa também é que algumas das canções escolhidas, funcionam melhor com banda, com peso de rock e não tão bem no formato "acústico". Mas de qualquer maneira, muitos arranjos ficaram muito bons, novas leituras que enriquecem as idéias iniciais, merecendo até quem sabe um CD do Tributo a Cazuza. De qualquer maneira, fica o meu parabéns à Samira e sua equipe, pelo arrojo da produção, que sei, ainda conta com poucos recursos, mas que está criando um público fiel e que deverá crescer em apoio, pela qualidade e principalmente, por abrir uma janela, um espaço de esposição do cenário local. Esperamos que venham outros Tributos. Já vou até listando outros artistas "tributáveis": Lulú Santos, Lobão, Kiko Zambiasnki, Gil, Tom Jobim( com o grupo Ellus), a lista é infinita. Deixa eu dar até mais um pitaco. Podem até rolar dois shows por noite: um com Tributo e outro onde os artistas possam mostrar seus trabalhos próprios. É lógico que isso tem de ser bem programado, pois os públicos quase nunca tem paciência de ouvir trabalhos novos. Mas se tiver um show cover junto e uma programação bem feita, tudo cabe. Agora, sobre esse negócio de tributo, vocês nunca podem deixar de convidar o Julio. Ninguém entende mais de tributo do que ele.

sábado, 5 de dezembro de 2009

MONLEVADE EM 3 TEMPOS

Para alguns monlevadenses, certas coisas são banais, destituídas de beleza e graça, porque comuns e rotineiras. Já pra mim que estou chegando, tudo é fascínio e descoberta. Ainda estou tateando, procurando entender os signos da cidade, seus códigos, suas memórias fragmentadas. Mas já vou formando meu quebra-cabeça. Como sou de Alvinópolis, sempre fui muito ligado à Monlevade. Primeiro por ser uma cidade pólo, de comércio e setor de serviços sem igual na região. Segundo por ser uma cidade entre Alvinópolis e Belo HORIZONTE. Não há como um Alvinopolense (ou de outras cidades da região) passar muito tempo sem transitar pela cidade. Sou apaixonado pelo tempo, seja passado, presente ou futuro. Então vou falar da Monlevade em 3 tempos. Em primeiro lugar, da que conheci na infancia e adolescência. (importante dizer que tenho a mesma idade da cidade). Lembro-me principalmente da charmosíssima cidade antiga, de quando a usina também tinha o nome muito bonito: Belgo Mineira. Não sei porque, sempre me lembrava o canarinho belga. Era um nome que até amenizava o cenário industrial, cinza e enfumaçado. Mas a monlevade antiga tinha casas muito bem cuidadas, parecendo uma vila inglêsa, vida que pululava ao pé da gigantesca usina. Lembro-me também do "estádio" do Jacuí, com suas arquibancadas e do bairro carneirinhos, que ainda não passava de um "bezerrinho". Lembro-me ainda de ter saido uma vez de Alvinópolis para assistr ao filme Gandhi no cinema antigo. Lembro-me também dos tempos gloriosos dos eventos que aconteciam no Grêmio. Meu grupo de músicas (Verde Terra) chegou inclusive a vencer um festival lá com a música Interior. Mas Carneirinhos cresceu e roubou a cena. A Monlevade antiga, tão decantada por Marcelo Melo, virou um quadro amarelado na parede. A Monlevade de outrora perdeu o glamour. Grande parte dessas memórias afetivas vai sendo desprezada, delapidada, esquecida. Quem sabe não valha à pena um projeto conjunto de tombamento e preservação por parte da Arcelor e do poder público? Não seria uma boa idéia pensar nisso? E por falar em Arcelor, devo confessar que sempre tive vontade de conhecer a usina por dentro (as entranhas de Monlevade). Assim como a alma de Alvinópolis é de pano, a de Monlevade é de aço. Tomara que me convidem um dia para conhecer a usina . A criança que existe em mim tem muita vontade de ver o aço vermelho-laranja saindo do forno, forjado em temperatura de estrela. E sobre o futuro? Ora bolas! O futuro é digital. Não tem outro caminho. TV na WEB, Rádio na WEB, escola na WEB, tudo na WEB. Internet não é despesa. É investimento. E não venha me dizer que não gosta de computador e que odeia internet. Me desculpe, mas pra mim, quem não tem msn não existe. Bem pior que não ter CPF. E por falar nisso, tá passando da hora de Monlevade ter internet de 10,50,100 megas. O que as operadoras tem a dizer à respeito?

sábado, 28 de novembro de 2009

O ANIVERSARIANTE MERECE!

Olha que eu vim de uma cidade onde coisas incríveis acontecem (uma hora ainda vou tirar um tempo pra contar as histórias fantásticas de Alvinópolis). Mas devo confessar que nunca havia visto nada como esse desfile do Natal da Gente. Aliás, nunca imaginei que alguém pudesse ter a idéia de fazer um desfile celebrando o natal. Foi como um bloco, uma escola de samba, na Sapucaí do coração da gente. Na frente, ia a banda de música tocando coisas do natal, convocando os que estavam atoa na vida a seguir no cortejo. Mais atrás, vinha o Papai Noel mais fashion que já vi , trajando originalíssima roupa e montado na charrete do Betinho. Juntos seguiam as crianças do Projeto crê-ser, o pessoal da organização, o prefeito e seus secretários, muitos cidadãos e curiosos, formando um grande cordão humano. O desfile foi desembocar na praça do povo, onde mais emoções nos aguardavam.Na praça, foi lançada a música tema do Natal da Gente, interpretada por diversos cantores monlevadenses e o prefeito subiu ao palco, onde agradeceu pelo apoio e fez a contagem regressiva para o acendimento das luzes. O momento foi apoteótico. Parecia ensaiado. Foi tudo perfeito e quando as luzes se acenderam uma emoção grande percorreu a multidão. Houve muitos aplausos e foguetório, marcando o inicio das celebrações do natal da gente em João Monlevade.As luzes deste ano maravilharam a população. A criatividade e a delicadeza da decoração causaram excelente efeito. A iniciativa de usar material reciclado, além da perspectiva ambiental, também garante economia e demonstra que pode-se fazer muito com pouco.Espero que iniciativas como essa se transformem em tradição. O natal mais que um acontecimento consumista como se alardeia, também é um momento muito bonito de genuíno sentimento de amor, de solidariedade, de congraçamento, de união da família e principalmente de celebrarmos o aniversário do mais ilustre ser humano que já pisou nesse planeta, ele que nos chamava de irmãos e que esteve e sempre estará no meio da gente: Jesus Cristo!

sábado, 21 de novembro de 2009

FUTSHOW FEMININO


Lembro-me de uma entrevista do grande Telé Santana em que ele falava que apreciava tanto o futebol, que gostava de ver até pelada, futebol de botão, treino, primeira, segunda e nona divisão. Também sou assim. Rolou a pelota e estou lá. Por isso, quando me convidaram para assistir a final do FUTSAL no Ginásio do Real, topei na hora. Várias pessoas fizeram uma propaganda enorme do time de Futsal Feminino de Monlevade, falando de sua campanha impecável, invicta e da importância da decisão que aconteceria, afinal, seria um título de repercussão estadual, inédito para Monlevade. Pensei comigo: vamos lá, né? Pra dizer a verdade, futebol feminino nunca me empolgou tanto. Ainda não havia visto um futebol realmente bem jogado por parte do chamado “sexo frágil”. Aliás, quando usamos esse termo já estamos quase desqualificando as mulheres para um esporte que pressupõe virilidade e força física. Mal sabia que esse preconceito e vários outros cairiam por terra dali a alguns minutos. Chegamos ao Real e o time do Santa Cruz estava atrasado. Sabem por que? Por causa de mais um desastre na 381. A rodovia moedora de carne (trash) impossibilita qualquer agendamento, pois quase todas as vezes em que viajamos tem acidente na estrada. Mas voltando ao jogo, o ginásio do Real não estava tão cheio. Uma pena, pois não é todo dia que se chega a uma final de um campeonato de repercussão estadual. O time de Monlevade já estava em quadra aquecido quando o time do Santa Cruz iniciou seu aquecimento. A torcida estava animada e o time visitante também trouxe uma torcida barulhenta. O time de Monlevade jogava com um uniforme preto com detalhes em rosa. O time do Santa Cruz usava uniforme parecido com o do Vasco da Gama, só que a camisa era vermelha com lista transversal branca e a estrela gamada no peito. - Príii. Apita o juiz. Para delírio da torcida, rolou a pelota. No inicio da partida, o time de Monlevade partiu pra cima. Durante alguns minutos, o time da casa tocou a bola com muita rapidez, envolvendo o time do Santa Cruz. Só o time visitante começou devarinho a tomar conta da partida. O time de Monlevade, nervoso por decidir diante da torcida, partia pra cima de forma desordenada e o time do Santa Cruz tinha um contra-ataque muito rápido. A essa altura, eu já estava completamente extasiado pela velocidade da partida. Me impressionou ver aquelas jovens dividindo as bolas sem medo, com força e virilidade quando necessário. O momento não era bom para o time de Monlevade. As garotas visitantes dominavam a partida, capitaneadas pela número 10, que começava a dar um show à parte. É aquele negócio né? Geralmente a camisa 10 fica para o craque do time e não foi diferente com o futebol das meninas. Num contra-ataque rápido, essa jogadora diferenciada pegou a bola, passou pela nossa defesa e fez o primeiro gol. A torcida ficou calada. Nosso time partiu ainda com mais ímpeto para o ataque, mas errando passes, sem coordenação. Resultado: levou mais um gol com incrível rapidez. O time do Santa Cruz estava muito bem e parecia que iríamos perder de goleada. Me informaram que a craque do time levou o terceiro cartão e o time sentia muito a sua falta. Só que as meninas da quadra resolveram se desdobrar, começaram a sufocar e chegaram ao primeiro gol, incendiando o ginásio. O primeiro tempo terminou assim, projetando para o segundo uma possibilidade de empate e até vitória, afinal, nosso time estava invicto, tendo vencido todas as partidas anteriores, inclusive o time visitante, que foi derrotado em casa por 4x3. Começou o segundo tempo. O time de Monlevade partiu pra cima. Durante um bom tempo, sufocou o adversário, que se defendia como podia. Porém, os destaques individuais do outro time eram notáveis. Havia uma jogadora que se parecia com o craque argentino Canigglia, que roubou uma bola na defesa e fez o terceiro gol. Ducha fria na torcida. Só que o pessoal não sabia que como cada time havia vencido uma partida, haveria prorrogação e pênaltis. Os dois times descansaram por alguns segundos e retornaram com força total. Outra novidade boa é que nosso time se sagraria campeão com um empate na prorrogação, por ter tido a melhor campanha. Só que o time do Santa Cruz fez um gol no primeiro tempo da prorrogação, uma jogada muito bonita que mereceu sambadinha e tudo por parte da atacante. Importante destacar que o Santa Cruz tinha meninas muito mais maduras, que inclusive eram as atuais campeãs. O jogo continuou duro, com jogadas muito emocionantes, várias chances de gol perdidas, inclusive 3 tiros livres não convertidos. Nosso time tinha grande dificuldade em penetrar. Martelava, martelava, mas a goleira pegava tudo. O time adversário começava a ensaiar um olé e fazia jogadas de efeito. A torcida já começava a desanimar. Mas quando faltava um minuto para acabar a prorrogação, o que parecia impossível aconteceu. Num ataque de muita garra e habilidade, o time de Monlevade conseguiu seu gol. O ginásio quase foi abaixo. O time do Santa Cruz ainda tentou de todas as formas desempatar, mas prevaleceu a garra do nosso time sobre a técnica das adversárias. Sinceridade, há muito tempo eu não assistia um jogo tão emocionante. Essas meninas merecem receber uma condecoração lá na prefeitura. Elas conseguiram o que os marmanjos não conseguiram: colocar Monlevade no mapa do futebol. Valeu meninas. Que venham outros títulos.

domingo, 15 de novembro de 2009

CIDADE DE CIDADES REUNIDAS

Havia uma música do compositor Fausto Fawcett, um dos melhores letristas que conheço, que dizia que o Rio de Janeiro é uma cidade de cidades reunidas. Incrivel como Monlevade também é assim. Andar pelas ruas de Monlevade é um exercício curioso. Tem horas que chego a pensar que tem mais pessoas de Alvinópolis por aqui que lá na minha terra natal. Encontrei com pelo menos uns 30 alvinopolenses em locais diferentes. Estive também com pessoas de Major Ezequiel, de São Domingos do Prata, de Dionísio, de Nova Era, Itabira, Dom Silvério, Ipatinga, de Rio Piracicaba...fora aquelas em que "trombei" e que também vieram de outras regiões. Fiquei pensando comigo: puxa vida! Que caldo cultural essa cidade tem. Quanto diversidade. Ao mesmo tempo, fiquei pensando na cultura e no que ela tem de educativa em seu bojo. Existe uma definição de cultura que acho ótima. Definitiva eu não digo, pois não existe perenidade nas palavras. A definição é a seguinte: " Cultura é o conjunto de conhecimentos adquiridos por um povo para se adaptar a determinado ambiente". Pois é! Acho que procede! Agora, imagine Monlevade e esse tanto de gente que vem de tantos lugares se adaptando, trazendo suas saudades, trazendo as culturas dos lugares de onde vieram, trazendo as receitas de tarecos, de doces, seus dialetos, suas tradições. Pois é. Monlevade abraça a todos. Recebe todo mundo com emprego e perspectivas de prosperidade. Quando caminho por essas ruas e vejo essa gente toda trabalhando, consumindo e movendo a roda da fortuna, fico imaginando porque essa cidade ainda não explodiu culturalmente. Porque ainda não achou o caminho para fruir com força a sua produção artístico cultural? Porque não se impõe como polo cultural reconhecido, se congrega o melhores profissionais da região? Há quem diga que o problema está no povão, que não quer saber de cultura, mas só de entretenimento. A equação se completa na priorização política, quer dizer...na hora de investir na cultura, a maioria das prefeituras investe nos shows popularescos, em detrimento do que tem realmente valor artístico cultural, pois o povo não tem paciência com conteúdos elaborados. Porém, há de se considerar que a cultura tem também algo de educativo, ou seja, o poder público deveria direcionar o que fosse da cultura para o que tem qualidade e valor artístico, até para melhorar o senso crítico de nossas comunidades, ajudando a subir o nível geral. É muito triste o político refém do populismo. Digo tudo isso até para que possamos refletir e pensarmos juntos. Hoje tive o prazer de conversar com o Luciano, da Casa de Cultura e fiquei feliz ao perceber que afinamos muito em alguns pensamentos. Deus queira que possamos trabalhar bem sintonizados. Penso Monlevade como um polo irradiador de cultura, de conteúdos, de idéias criativas. Vamos pensar a cidade juntos?

sábado, 7 de novembro de 2009

CULTURA PROFISSIONAL


Para muitas pessoas, a arte e a cultura ainda são atividades alegóricas, que fazemos nas horas de folga, num intervalo entre um trabalho e outro. A maioria não as considera atividades de formação, mas de entretenimento puro e simples. Muitos dos que exercem atividades culturais e artísticas, também não as faz com um sentido de sobrevivência, mas de passatempo, como algo que se faz como hobby, como distração. Para piorar um pouco a situação, alguns artistas se dão a licença da irresponsabilidade como estilo de vida, os excessos como fontes de inspiração, da autodestruição como glamour, quase como requisito para a transcendência, para o nirvana artístico. Por essas afirmações, constrói-se uma idéia muito marginal dos artistas, de pessoas que vivem no mundo da lua, à margem da lida objetiva, que não conseguem construir nada sólido, nada de aproveitável, nada que edifique. Ledo engano. Esses preconceitos não se sustentam na realidade capitalista. Se formos pensar bem, o principal produto de exportação dos Estados Unidos é a cultura. Alguém duvida que Hollywood tem mais poder de fogo que todo o arsenal atômico americano? Foi através de Hollywood que os Americanos conquistaram realmente a hegemonia mundial. Sob o ponto de vista artístico cultural eles são realmente profissionais ao extremo. Os artistas de lá estudam música, interpretação, dança, marketing, enfim, tudo que diz respeito a administração das carreiras. Já foi o tempo em que era bonito o artista se afundar nas drogas e levar uma vida louca, sem saúde, sem juízo. É lógico que ainda existem exceções à regra. Um escândalo sexual aqui, uma internação ali gera publicidade, factóides, alavanca vendas. Mas o maior volume de produção é de artistas ultra profissionais, excelentes músicos, seres humanos normais que levam a carreira a sério e se cuidam, se concentram como os jogadores de futebol, ensaiam muito, ralam como ginastas olímpicos para bater seus próprios records, enfim, procuram ser muito bons no que fazem. Sei que muitos românticos vão querer me crucificar com a velha máxima de que a arte só brota do caos. Pode até ser. As maneiras de se “psicografar” os espíritos da arte, cada um encontra como pode. Os caminhos que levam ao nirvana são vários. Mas os 99% de transpiração são necessários e imprescindíveis. Sem profissionalismo, quase nada vai à frente

sábado, 31 de outubro de 2009

CD - INICIO OU FIM ?

O principal objetivo dessa coluna é dar uma panorâmica na cena cultura da nossa região, mas na medida do possível, também passar algumas reflexões que considero importantes pra quem tá começando. Uma coisa curiosa que eu estive pensando é o seguinte: o CD, que muitas vezes pode parecer o auge de uma banda, que praticamente sacramenta uma trajetória, muitas vezes também pode significar o seu fim. Se formos fazer uma avaliação estatística, tenho certeza que teremos uma brutal confirmação do que estou dizendo. As razões para isso são várias. As bandas até chegar ao CD, quase sempre tocam em seus shows um repertório misto, composto por 70 a 80% de covers, completando uma pequena parte com músicas próprias. Quanto começam a planejar o CD, começam a aumentar o número de músicas próprias no repertório. O processo de gravação é quase sempre muito doloroso, entre a própria captação de patrocínios, burocracia, escolha de repertório, produção de capa e encarte, uma trabalheira enorme. Na maioria das vezes, as bandas não conseguem o suficiente para bancar toda a produção e acaba que sobra para os membros uma despesa considerável que tem de ser rateada. Assim, depois de muita ralação, o CD fica pronto, para alegria e orgulho de todos. Ai marca-se o dia de lançamento e é criada a expectativa da venda de um número considerável de discos. Até que no dia do lançamento vende-se razoavelmente. Na maioria das vezes, 30% do total imaginado. Com o dinheiro, a banda aproveita para pagar o restante da dívida e tudo é animação. Só que depois, sobrevém certo relaxamento em função da pressão anterior. Quando a banda retoma os trabalhos, será hora de tentar execução em mais rádios e distribuir nas lojas. Tudo tem de ser consignado, afinal, a maioria dos lojistas não está adquirindo mais nas mãos das gravadoras, preferindo ser mais seletivos. O resultado é que as vendas vão devagar, quase parando. A banda tenta vôos um pouco mais arriscados. Consegue um representante na capital, que se propõe a levar o CD nas rádios. Só que nas rádios principais, tem de pagar, senão não toca. O mesmo acontece com as TVs e os preços são enormes, maiores até que a própria produção do CD que já consumiu um capital considerável. As rádios locais até tocam, mas não é suficiente. A banda precisa expandir seus horizontes além da própria aldeia. O problema maior agora é que os músicos só tem prazer em tocar as próprias músicas. Não tem vontade de tocar covers. A motivação anda baixa. Como o trabalho foi muito exposto na mídia regional, outros grupos da região começam a especular e a fazer ofertas para alguns músicos da banda , convidando para irem tocar com elas por um cachê 3 vezes maior do que recebe. Lá vai mais um roqueiro tocar sertanejo ou axé. Pra completar, algum amigo(da onça)pega o CD recém-gravado e disponibiliza na internet de graça para quem quiser baixar. Pessoal, tô escrevendo esse artigo, que à primeira vista parece pessimista, mas tem ai muitas pistas sobre coisas que aconteceram com muitos e muitos artistas, inclusive comigo. Cada caso com suas particularidades, mas coincidentemente tive dois trabalhos que chegaram ao fim logo que os CDs foram lançados. Primeiro aconteceu com o grupo Verde Terra de Alvinópolis. Tocamos de 1980 até 1987 quando lançamos nosso LP. Pouco depois que lançamos, o grupo interrompeu seus trabalhos. Com o República dos Anjos aconteceu algo parecido. Começamos em 1988 e fizemos muitos shows até 1998, quando lançamos nosso CD. Lançamos e pouco tempo depois a banda parou. Não que tenhamos nos desentendido. É que tratava-se de um trabalho próprio e não tivemos dinheiro para divulgar e começaram a pintar propostas muito boas para o guitarrista, que foi tocar com Sideral e depois com Sandy e Jr. Aqui em Monlevade, a banda CALK também teve uma trajetória muito interessante, até chegar ao CD. Mauro Martins também sumiu depois do CD (gostaria até de saber onde ele anda). Repito o que eu já disse: cada caso é um caso e tem também os vários “cases” de sucesso. Porém penso que levantar a discussão ajuda o pessoal a refletir e até a prevenir algum dos problemas elencados. Empresários que saibam administrar, disciplina, profissionalismo e marketing intensivo ajudam, mas são raros principalmente entre os artistas. Outra coisa a se considerar é a própria morte anunciada da mídia CD, que hoje serve muito mais como portfólio de trabalho do que como produto de venda. Por outro lado, hoje todos têm a Internet para divulgar e quem souber trabalhar direito pode tecer uma rede eficiente. O problema maior é conseguir se destacar em meio a uma constelação de infinitas estrelas.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

ALTERNATIVA, GRANDE DIFUSORA DO CENÁRIO...


Há alguns anos atrás eu trabalhava na conhecida Rádio 98 fm de BH, quando conheci um artista mineiro, na época ainda iniciando carreira. Conversa vai, conversa vem, comentei com ele que eu era de Alvinópolis, cidade que fica entre Monlevade e Ponte Nova. Quando falei "monlevade" ele comentou comigo: - Peraí...Monlevade? Conheço sim. É uma cidade onde tem uma rádio grande né? Aí comentei com ele: - Grande? Não sei dizer. Realmente é uma rádio muito bem estruturada. E ele retrucou: - Grande sim ! Uma das melhores do interior de Minas. Tem uma audiência enorme numa região fantástica. Quem toca lá vende muitos shows. Nunca mais esqueci essa conversa. Pois é! Monlevade tem uma mídia poderosa e de amplitude regional e nem se dá conta. Essa mídia atende pelo nome de Alternativa 1 FM. Não sei nem se o pessoal da Rádio já pensou nisso. Por sorte do destino ou pela visão de seus idealizadores, a torre da rádio fica numa posição que lhe permite chegar muito longe. Muito mais longe do que se possa imaginar. Já vi um folheto de divulgação onde está escrito que a rádio atinge cerca de 90 cidades, mas me arrisco a dizer que atinge muito mais. Há algum tempo, um amigo que se mudou para o Espírito Santo me falou que pegou a rádio por lá. Eu cheguei a duvidar, mas depois meu amigo Weber Ferreira, um dos maiores conhecedores de rádio que conheço confirmou que já receberam diversas cartas do Espírito Santo mesmo. Na BR 381 então, a Alternativa 1 é soberana. A gente vai até Belo Horizonte ouvindo os locutores com o sotaque da nossa região, ouvindo falar dos nossos comércios, das nossas coisas, enfim. Aliás, até já comentei com o pessoal da Rádio que seria interessante colocarem uns outdoors na 381, convidando o pessoal a experimentar essa “excelente alternativa”. Aliás, se a rádio se engajasse na luta pela diminuição de acidentes na Rodovia das curvas, poderia ser de grande valia e evitar muitas mortes. Mas vamos falar agora sobre a programação da Rádio. Sempre tive grande prazer em conversar com o Weber sobre música, aliás, sobre tudo. (principalmente sobre um time da camisa azul, com cinco estrelas vitoriosas). Na época em que eu só era roqueiro, cobrava dele que colocasse mais rock na rádio. Ele me explicava que embora também gostasse de rock, a rádio teria de espelhar o gosto do povo da região, seu público alvo. Eu na época ficava revoltado. Tem aquela frase da música do Caetano: “ narciso acha feio o que não é espelho”. Quem gosta de rock acha que só rock presta, quem gosta de MPB também pensa assim e não é diferente com fãs de música clássica, de sertanejo, de jazz. Pois a Alternativa aposta no ecletismo, hoje com predominância maior do sertanejo, afinal, a maioria das cidades onde o sinal é captado é de ascendência rural. Minas é uma roça cercada de montanhas por todos os lados. E por incrível que pareça e como até já falei em artigo anterior, o povo de Monlevade embora vivendo numa cidade industrial, também aprecia muito a música sertaneja. Também né, é uma cidade pólo que recebe gente de todo lado. Mas a Rádio Alternativa tem outros méritos. Divulga todos os artistas da região. O artista lança um CD e imediatamente encontra na Alternativa um parceiro. Pergunte a Fabrício e Elcimar, Banda Calk, Maycon e Douglas, Infocus, Mauro Martins, Silvana, Ageo, República dos Anjos, Verde Terra, entre outros. A rádio Alternativa é, e tomara que continue sendo, a caixa de ressonância do cenário musical do vale do Piracicaba. Não dá nem pra comparar sua audiência com outras rádios que se dizem rivais , mas que tem ouvintes apenas locais. Além do mais, o som FM de alta qualidade deixa todas as outras no chinelo. E pra completar, ainda tenho alegria de ter a Alternativa agora com som maravilhoso também pela internet. Quer dizer, se já chega via ondas de rádio com som puríssimo para várias cidades, chega agora também com som purinho em qualquer lugar do planeta.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

INCUBADORA DE CULTURA

Todos os grandes movimentos musicais que se configuraram até hoje, tiveram algum ponto de partida. Algumas vezes, obra do acaso. Mas na maioria das vezes, por visão de oportunidade de algum empresário ou produtor. Os Beatles, por exemplo, só aconteceram por obra de um empresário baixinho chamado Brian Epstein, que formatou os modelitos e praticamente dirigiu o inicio da banda. Engraçado pensarmos que os Beatles no inicio eram uma espécie de Menudo, de Backstreet Boys que tocavam. Usavam terninhos comportadinhos e as letras eram uma xaropada só. Depois é que as individualidades foram aflorando, quando o talento de John, Paul e Harrison principalmente, possibilitaram a criação de algumas das maiores canções da história. Mas podem ter certeza. Os Beatles não teriam acontecido se não fosse Brian. No caso da música Punk também havia um grande articulador por trás. Todos concordam que a banda germinal da cultura punk foram os Sex Pistols, mas por trás daquele movimento havia o produtor Malcom Maclaren, que era empresário da banda e que tratou de trabalhar, difundir a ideologia punk pelo mundo. Na esteira pintou toda uma geração de calças rasgadas e camisas pretas. Trazendo o tema para o Brasil, citaria a Banda Barão Vermelho e Cazuza, que também tiveram seu tutor. É inegável o talento do poeta exagerado, mas ele talvez não tivesse pirado tanto e buscado tantos excessos que culminaram em sua poesia, não fosse o poeta, produtor e empresário Ezequiel Neves, conhecido no meio como Zeca Jagger. Neves levou Cazuza para o , digamos, mal caminho do rock e o grande poeta daí tirou toda a sua força poética. No mundo do Axé, praticamente vivemos a quarta geração da indústria exportadora de micaretas. Engraçado pensarmos que o movimento praticamente começou com Luiz Caldas e seu fricote. Só que o movimento acabou se amplificando. O Governo Baiano da época percebeu que aquele movimento seria uma boa oportunidade de vender a Bahia o ano inteiro, por todos os pontos do país e do Planeta. Os Baianos praticamente abdicaram da intelectualidade dos seus ídolos máximos até então, Caetano, Gil e Betânia, para abraçar o entreterimento puro e simples de bandas como “É o tcham”, Cia do Pagode, Reflexus, Chiclete com Banana, Asa de Águia, Ivete Sangalo, Banda Eva, Beijo, etc, etc, etc...e dá-lhe etecéteras. Mas...é bom lembrarmos que essa “ nave mãe baiana” não teria saído do chão, não fosse o impulso, o suporte que o governo, que toda a Bahia deu para seus artistas. Digo isso tudo, para dar uma despertada nos empresários e nas administrações dos municípios da nossa região. Temos muitos artistas, muitos nomes, como pode ser visto aqui na coluna Cenários. (vejam as matérias anteriores no blog). Mas se observarmos bem, falta-nos empresários visionários, apoios públicos para dar suporte às nossas cenas e a adesão das próprias comunidades, que ao invés de apoiar, dão razão à máxima de que “santo de casa não faz milagre”. Essa situação só pode mudar com um pouco mais de arrojo, de ousadia, de visão dos gestores culturais da nossa região. Aliás, poderia ser até uma iniciativa conjunta entre secretarias de cultura e de desenvolvimento. É muito comum que as cidades tenham seus distritos industriais e suas incubadoras de empresas. Porque não criarmos Incubadoras de cultura?

terça-feira, 13 de outubro de 2009

MPBM – MÚSICA POPULAR BRASILEIRA by MONLEVADE


Natália Grigório, da novíssima geração da música de Monlevade

A primeira vez que tive contato com a MPB produzida em Monlevade, foi no festival de música que acontecia no Grêmio. Era uma festa maravilhosa, com ginásio lotado e muita animação em torno daquele estilo musical, que na época era preponderante. Difícil acreditar que houve uma época neste país em que shows de Chico Buarque de Holanda, Milton Nascimento, Gilberto Gil, João Bosco, Beto Guedes, Belchior, Mpb4. Gal, Betânia, entre outros, lotavam estádios e eram executados exaustivamente nas rádios do país e até na TV. Havia um programa de MPB na Globo de grande sucesso. Mas voltando ao festival de música, naquela oportunidade, vim de Alvinópolis participar do festival e aconteceu uma coisa curiosa. Inscrevemos a música “Nós os Loucos”, que havia vencido em Itabira e outra música intitulada “Interior” Logicamente, botávamos mais fé em “Nós os loucos”, pela trajetória vitoriosa, porém a música que ganhou a multidão mesmo e o próprio júri foi “Interior”, que venceu o Festival. Essa vitória foi suficiente para nos aproximarmos da cena local e para que conhecêssemos seus talentos. O povo da cidade só falava em uma cantora local chamada Neide Roberto, que segundo todos, tinha qualidade para ser ídolo nacional. Falavam tanto dela, que fiquei com aquilo na cabeça. Infelizmente, não pude conhecê-la naquela época, o que veio acontecer mais à frente. O Verde Terra, na ocasião da produção de seu disco, fez várias promoções pra angariar fundos e um desses eventos foi um show no clube Alvinopolense, com a presença da Seresta Local e da Neide Roberto. Infelizmente choveu muito e o clube não ficou muito cheio, mas mesmo assim a Diva fez seu show como se houvesse 10.000 pessoas presentes. Uma voz marcante, um repertório só de clássicos e um carisma hipnótico. Justificou plenamente a sua fama de grande dama da música em nossa região. Com o passar do tempo, fui conhecendo novos artistas na cena monlevadense, como Roilson, que faturou alguns festivais com a sua música “Cede seu mel”. Depois, tive a grata surpresa de conhecer Rômulo Rãs, um cantor que desde novo já apresentava uma qualidade acima da média, com um repertório de muito bom gosto, um violão correto e uma voz pra lá de afinada. Em princípio, vi Rômulo nos festivais, de forma ainda tímida, mas com o tempo ele foi encorpando, ganhando carisma e devo confessar que poucas vezes vi um cantor conseguir segurar uma platéia munido apenas com seu violão, as vezes com o auxilio luxuoso de um pandeiro. Rômulo criou um estilo próprio e seus shows eram verdadeiros karaokês coletivos. Muitas vezes ele iniciava uma música e deixava a platéia cantar, apenas acompanhando com seu violão suingado, numa catarse de felicidade e de participação. Era até engraçado. Uma vez um amigo meu de Teófilo Otoni falou uma coisa interessante sobre o show de Rômulo. Ele disse: - Puxa vida. Esse cara tem de receber só uma parte do cachê. Ele só começa as músicas. Quem canta mesmo é a multidão! Mas esse era o segredo. A participação era o diferencial. Depois, fiquei sabendo que o Rômulo é parente da Neide Roberto. Tá explicado! Afinidades genéticas falando alto. Mas continuando a falar da cena local, tenho de citar Chico Franco, um compositor local de fino trato. Chico rodava o estado participando em festivais junto com uma cantora daquelas que enchem uma praça com sua voz potente. Várias vezes nos encontramos numa saudável competitividade. Importante citar também Laércio Silvano, um músico de múltiplos talentos e Mauro Martins, que inclusive chegou a gravar uma música minha, Do outro lado do Espelho. Não sei onde se encontra o Mauro, mas também tem grande qualidade e sentimento no cantar. Antes de falar da cena atual, vou abrir um pequeno parêntese: no Festival do Aço que tive a oportunidade de promover junto com o João Carlos da Rádio Alternativa, havia visto um show de uma banda que considerei muito promissora. O nome da banda era Relicário. Eles faziam um show que misturava MPB com elementos do rock e gostei das experiências que faziam. Mas me chamou atenção mesmo a qualidade do vocalista, dono de uma voz potente, agradável e muito afinada. Gostei também do guitarrista, pela originalidade dos arranjos. Infelizmente, parece que a banda não foi pra frente, mas depois fiquei sabendo que o vocalista fazia dupla com outro cantor de grande qualidade. Não era uma dupla sertaneja, mas uma dupla urbana que tocava principalmente MPB de altíssimo nível. O nome da dupla é “João Roberto e Ronivaldo”.


João Roberto e Ronivaldo


Tive a oportunidade de fazer um pequeno trabalho com eles na gravação da música de aniversário da Rádio Alternativa e pude entender porque eles tem carregado essa fama de nomes do momento. Os dois têm belíssimas vozes e um casamento perfeito de tons. Estão inclusive gravando seu CD que deve sair em breve e para minha alegria, também vão gravar “Do outro lado do espelho”. Outro trabalho de grande qualidade que tive oportunidade de conhecer é do Grupo Ellus, formado na Funcec. As meninas do Ellus tem vozes angelicais, lembrando grupos como Quarteto em Cy ou como as vocalistas que faziam backing para Tom Jobim, enfim, .uma musicalidade que faz muito bem aos espíritos. Quando ouvi as meninas da Ellus cantando, pensei comigo: - Puxa vida! Esse é um grupo que gostaria de produzir. Mas esse barco já tem timoneiro e muito bom. Ah.Importante dizer que o Ronivaldo também toca na Ellus. Esse cara também hein? Tá em todas.


Grupo Ellus - um grupo vocal de alta qualidade.


Não poderia deixar de citar também a cantora Natalia, vocalista da Banda Agá Plus ( foto lá em cima) . Tive a oportunidade de fazer alguns trabalhos com ela e muito me impressionou a sua afinação, seu sentimento e facilidade no cantar. É isso, minha gente. A cena local é muito fértil. Precisa mesmo é de produção para alavancar essas potencialidades. Seja no Rock, na MPB, no sertanejo, Monlevade tem ótimos representantes. Algumas coisas vêm sendo pensadas para gerar palco para essas cenas. Mas isso eu deixarei para próximos artigos. Sobre o Rock Pira, deverá ser realizado no próximo ano. Para o corrente, a maioria das prefeituras não tem disponibilidade de verbas e não existem brechas orçamentárias para bancar mais eventos. De qualquer maneira, não é um projeto cancelado, mas apenas adiado. Enquanto isso, continuaremos tomando outras medidas e adiantando o que for possível, para que na hora que houver uma configuração positiva, possamos realizá-lo.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

ANTIGAMENTE É QUE ERA BOM!


Se tem uma frase que me irritava, era quando alguém mais velho me dizia: - Antigamente é que era bom! E ainda exemplificavam: - As mulheres se vestiam bem, os homens usavam ternos e os caçais dançavam boleros, salsas e salsas, sempre coladinhos. Achava isso de uma caretice sem tamanho. Imagine eu, um rapaz que gostava de usar calças rasgadas, camisas de malha com estampas de rock e tênis, me vendo numa situação daquelas? O cúmulo da cafonice. Pois é! Mas cada tempo tem seu figurino e seus rituais. E pra complicar a confusão, vivemos hoje a era da pós-modernidade, quando o antigo, o novo e o que virá se encontram. Pelo menos aqui em Belo Horizonte, tem vários bares e cursos de dança de salão cheios de meninas, adolescentes, balzaquianas, todas as gerações aprendendo a rodopiar com as danças dos tempos das nossas tataravós. Ao mesmo tempo quem tem essas festas retrô, tem as raves, com música eletrônica, alta tecnologia de luzes e drogas high tech. Tem ainda shows de pagode, de funk, de forró e da (argh!!!) música emo, uma das piores encarnações do rock em minha opinião. Mas aí apita meu sentido de aranha. Cá estou eu com aquela sensação dejavu de que ANTIGAMENTE é QUE ERA BOM. É que fui colonizado musicalmente pelo Yes, Pink Floyd, Led Zepelin, Deep Purple, ACDC,Beatles, Stones, Sex Pistols, The Clash, Genesis, Van Halen, Aerosmith, Nirvana, além dos mestres da MPB, Tom Jobim, Vinicius de Morais, Caetano, Gil, Rita Lee, Milton, Lô Borges, Toninho Horta Raul Seixas. Ah, tem também o pessoal do Rock Brasil, os Titãs, Barão Vermelho, Lobão, Cazuza, Paralamas, Lulu Santos, Legião. Olha que deixei de citar muitos hein? Mas pois é! Com essas referências, fica difícil gostar do conteúdo literário da galera EMO. Por um lado, isso me deixa com um tremendo complexo de estar ficando gagá, de estar perdendo a capacidade de me atualizar, de gostar do que é novo. Mas como sou dialético comigo mesmo, fico pensando e ruminando : será o povo que está preferindo mesmo esse estilo de rock baba romântico ou é a mídia que empurra isso goela abaixo do povo? Muito bem disse a Fernanda Takai do Pato Fú na entrevista que nos concedeu. A internet nos salva da massificação e da esterilidade das rádios sucesso. É só não termos preguiça de pesquisar, de navegar os mares virtuais e caçarmos tesouros musicais. Eu mesmo nos últimos tempos encontrei coisas geniais revirando sites como Myspace, Palco mp3, entre outros. Mais uma vez me vem a cabeça a frase do Titãs que resume tudo: Tudo ao mesmo tempo agora! Hoje temos toda a história da humanidade disponível numa grande nuvem cultural que paira sobre o planeta. Todos os ritmos, todas as etnias, todas as tribos, tudo está disponível. Nesse novo mundo que se descortina, o “antigamente” pode ser o “novo” e o “novo”, muitas vezes imposto pelo imperativo capitalista de lançar sempre produtos novos, pode ser rechaçado por uma nova humanidade emergente, mais seletiva na hora de escolher o que ouve, assiste, veste ou faz, diante de um grande self-service virtual onde cada um se serve apenas do que gosta. Tudo isso que foi falado, também me salva do ANTIGAMENTE É QUE ERA BOM. Todo tempo é bom. Cada um que escolha o fundo musical para sua vida. Finalizando, aproveito para me desculpar por ter levantado o assunto do FESTIVAL ROCK PIRA e por não ter noticias mais concretas para vocês, embora tenha prometido em vários artigos, divulgar as novidades. De qualquer maneira, os sonhos sempre antecedem os feitos. Só que muitas vezes, não dá para concretizá-los com a velocidade desejada. O projeto continua evoluindo sim, mas temos impasses que precisam ser resolvidos antes que possamos divulgar regulamento, premiações e dados mais exatos. Então, pedimos um pouco mais de paciência. O festival de Rock tá meio garrado, como se diz no popular, mas vai sair.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

BELA VISTA MUSICAL CLUB

Estava em Alvinópolis de bobeira, isso lá pros idos dos anos 80, quando me encontrei com o presidente do Alvinopolense, conhecido como Tuôla. O nobre dirigente, tinha o hábito de fazer propagandas boca-a-boca de todos os eventos que fazia no clube e daquela vez me falou que iria tocar uma banda muito boa no baile daquela noite. Desde aquela época, eu já ficava mais ligado era nas bandas. O Clube podia ficar vazio, mas se a banda fosse boa, pra mim tava ótimo. Cheguei mais cedo no clube pra ficar sapeando a banda, observando seus preparativos pra tocar, afinação dos instrumentos, enfim. Observei que eles usavam uma guitarra diferente. Depois me informaram tratar-se de uma craviola. Como sempre o baile começou com o clube praticamente vazio. Achei até bom, pois pude ouvir a banda tocando as músicas que os músicos curtiam e não apenas os sucessos da época. Eles eram cabeludos e usavam uma roupa branca tipo bata. Os vocais e instrumental eram perfeitos. Eu estava ali abobado com a performance da banda, quando Tuôla chegou perto de mim perguntando se eu estava gostando ( eu era um espécie de consultor de qualidade pra ele) Disse-lhe que sim, que era muito boa. Perguntei a ele se a banda era de Belo Horizonte e ele me respondeu que não. Que era de Bela Vista de Minas. Perguntei a ele o nome da banda e ele me respondeu: Magnus Som. Tuôla, que foi um dos melhores presidentes de clube da história de Alvinópolis ainda me confidenciou que a turma da banda era humilde e boa de jogo e principalmente, que era barateira, que não lesava o clube como outras bandas famosas que vinham de longe, tocavam pouco e pediam até mais do que combinado. Depois desse baile, o Magnus voltou a Alvinópolis muitas vezes, sempre com sucesso. Tamanha qualidade não podia passar despercebida na região e em pouco tempo, o Magnus tornou-se a banda mais solicitada num raio de muitos kms. Se a turma fosse um pouco mais ambiciosa e tivesse um bom empresário, poderia ter ficado muito rica com música, mas na realidade, o que os movia não era a ambição, mas o amor à música. Era engraçado o fato dos bailes terem de terminar num horário determinado, pois a maioria dos músicos trabalhava na Belgo Mineira e tinha de pegar serviço de madrugada. Na época dos festivais, tivemos a oportunidade de nos encontrar com o Magnus por inúmeras vezes. Eles já forneceram sonorização e fizeram shows em 2 festivais em Alvinópolis. Em Bela Vista , também tive a oportunidade de participar em 2 festivais, num espaço conhecido como Caramanchão. Diga-se de passagem: os festivais em Bela Vista eram muito legais, com muitos músicos locais de grande qualidade ( nesse época, com o Grupo Verde Terra, tive a oportunidade de participar em dois festivais em Bela Vista, ganhando o primeiro lugar em um e segundo em outro). Nesses festivais, pudemos ver que o Magnus já preparava a sua segunda geração. Existia uma segunda banda Magnus de boa qualidade, que permitia aos magnâmicos fazer 2 bailes numa mesma noite. Pois é. Mas nem só de Magnus vive a musica de Bela Vista de Minas. Certa vez aconteceu em Alvinópolis um Festival de Música Sertaneja que marcou época. Apareceram violeiros e duplas de todas as partes de Minas. Sabe quem ganhou ? A dupla Barrado e Barradinho de Bela Vista de Minas. Não sei como está a cena musical de Bela vista hoje e podem até me condenar, por não buscar me informar melhor antes de escrever esse artigo. Não tem problema. Quero mais é provocar a turma a levar adiante o legado do Magnus, quem sabe instigar algum remanescente a falar um pouco sobre essa história e homenagear essa cena tão bonita, de uma cidade pequena, mas de rica história. Meu abraço ao Ely, ao Lobão e Cia. Se puderem, nos mandem noticias sobre a música de Bela Vista nos dias de hoje.

No próximo artigo, voltarei com novidades sobre o Rock Pira IV.

sábado, 19 de setembro de 2009

COM TURMA FICA MAIS FÁCIL

Quando eu era menino pequeno em Alvinópolis, aconteceu um fato que nunca saiu da minha cabeça. Havia um menino grandão e forte que batia em todos os outros meninos e era muito temido. Até que certo dia foi se meter com outro garoto, que era baixinho e franzino. Por causa de um chapeuzinho que levou no futebol, o grandão falou que ia quebrar o outro na porrada depois da pelada. Só que o grandão não contava com uma coisa. O baixinho tinha turma. Quando terminou a pelada e o valentão partiu pra cima do baixinho, juntaram uns 20 meninos em cima do gigantão e o deixaram todo cheio de arranhões, mordidas e escoriações pelo corpo.

Eu conto esse caso pra falar do poder que as pessoas tem quando atuam de forma conjunta, quando se agrupam para buscar interesses comuns. Trazendo para o campo da música, a maioria dos grandes movimentos musicais explodiu por ter um sentido de agrupamento, um conceito de vender um movimento. Aconteceu isso, por exemplo, com a turma do Rock Brasil dos anos 80, quando apareceram vários artistas ao mesmo tempo em que sempre se apresentavam juntas, com a turma do Rock de Brasília, representada pelo Legião Urbana, Paralamas do Sucesso e Capital Inicial, a turma de SP com o IRA, Titãs, Os Inocentes e Ultraje e Rigor, a turma do Rio com Blitz, Barão Vermelho e Kid Abelha e a turma do Rio Grande do sul, com Engenheiros do Haway e Nenhum de Nós. Eles tinham um forte sentimento identidade regional e conseguiam fazer um belo giro de shows e venda de CDS. Depois pintou um movimento ainda maior, que foi o movimento do AXÉ BAIANO. Com forte apoio governamental, foi criada uma fantástica indústria cultural, responsável pelo lançamento de inúmeros artistas, como a Cia do Pagode, Chicletes com Banana, Banda Beijo, Banda Eva, É o tchan, Grupo Harmonia, Timbalada, Carlinhos Brown, Asa de Águia, Babado Novo, Ivete Sangalo, Claudia Leite, quer dizer... a lista é interminável. Pra completar, a música AXÉ se vende com o conceito de grande festival, exportando micaretas para o Brasil afora... tudo isso com um forte conceito de indústria itinerante, vendendo toda a estrutura de trios elétricos, camisetas, abadas e uma infinidade de produtos, enfim, demonstrando que cultura vende e vende muito bem. Depois, ainda tivemos o movimento funk, que teve no programa Furacão 2000 o seu grande catalisador, mas que também consegue vender MCs qualquer coisa pra qualquer lugar, bastando que o famoso tamborzão bata, que as menininhas dancem com os dedinhos na boca e subam e desçam até o chão. Sem juízo de valor ou qualidade, não há como negar que o movimento foi muito bem trabalhado em termos de marketing e também vende e sustenta uma cena bastante fértil. Eu digo isso para chegar ao ponto que pretendo:

Nós da região do Vale do Rio Piracicaba precisamos nos enturmar mais, criar perspectivas para vender nossa arte e nossa cultura com embalagens especiais. Infelizmente, os artistas são por demais ególatras para se enturmar por conta própria. Quase sempre criam rivalidades artificiais, sem perceber que a classe tem muito mais afinidades que motivos para se odiar. Outro detalhe é que o artista quer é criar, praticar a sua arte e tem muita preguiça com burocracia, com venda de seu trabalho, com divulgação e outros detalhes que não seja aquele que lhe dá prazer e que sabe fazer melhor. Sendo assim, essa tarefa pode e deve partir das instancias públicas: criar eventos e até divisões dentro dos departamentos de cultura, que possam criar eventos que possibilitem aos artistas mostrar e aperfeiçoar seus trabalhos, vender esses trabalhos para outras cidades, criar ferramentas de venda como cartazes, CDs coletânea, divulgar a arte produzida na cidade até como forma de divulgar-la através dos seus talentos, que em contrapartida, terão orgulho em dizer que são filhos da cidade que lhes deu toda a condição para que chegassem até onde se encontram.

Digo tudo isso, mas me confesso otimista. Temos na região alguns prefeitos novos com cabeças novas, que reconhecem o valor da cultura e se mostram muito abertos para conversar a respeito desse assunto. Mas terá de haver também boa vontade por parte dos talentos em despir os egos e ter sentido de equipe. Que haja disposição para que cada um analteça as qualidades do outro, ao invés dos defeitos, que todos ajudem a hastear a bandeira comum de sua tribo, da arte da sua cidade, assim será possível criar um ambiente propício para que nossos talentos possam brilhar intensamente.

No próximo artigo, voltarei com novidades sobre o ROCK PIRA IV, que terá na próxima semana alguns capítulos decisivos. Mas podem ficar tranqüilos que não será uma novela. No máximo, uma mini-série (rs).


sábado, 12 de setembro de 2009

ENTREVISTA COM FERNANDA TAKAI

Amigos, na edição de hoje, uma entrevista muito bacana com a cantora, compositora e escritora FERNANDA TAKAI, uma das criadoras da consagrada banda Pato Fú e que mais recentemente emplacou também um belo trabalho solo, cantando músicas que foram sucessos na voz da diva Nara Leão. Fernanda vem conquistando vários prêmios, foi recentemente considerada uma das 10 melhores cantoras do planeta e mesmo assim, conserva a simplicidade, o bom humor, o carinho com os fãs e com todos que a procuram.O mais interessante é que algumas cenas da história dessa grande cantora aconteceram aqui perto, no Rock Pira III. Ela esteve por aqui numa época em que ainda nem era famosa.( quem quiser, pode saber um pouco mais nas postagens anteriores) Mas hoje, do alto de uma carreira pra lá de estelar, convivendo entre os maiores astros da mpb, Fernanda deu essa entrevista pra gente, que inclusive passa dicas muito legais pra galera que tá começando e nos dá pistas do porque de tamanho sucesso.Mas então, vamos à entrevista

1) – Você é autodidata ou fez faculdade de música? Tem formação teórica?

Não tenho formação teórica. Fiz aulas de violão pra aprender a ler as cifras apenas, mas foi muito bom pra eu ser capaz de tocar as músicas que mais gostava e também começar a compor as minhas canções. No Pato Fu faço apenas base no violão ou guitarra, nada complicado. Em meu show solo, apenas canto.

2) – Você é Amapaense né. Você acha que existe alguma coisa das suas origens que reflete na música que faz ou se sente quase 100% mineira ?

Saí de lá muito nova antes de 2 anos de idade e depois morei na Bahia por 6 anos antes de vir pra Minas Gerais. Sinceramente acho que a música que faço não se prende à geografia. Podia ser feita por alguém em São Paulo ou Porto Alegre. Sou uma pessoa mais indoor, não me apego muito à natureza ou raízes pra compor. Talvez seja esse lado pop que é mais universal. Mas não tenha dúvida que represento a cena mineira com muito orgulho. Adoro morar aqui e não me mudaria pra outro lugar.

3)- Quando é que você percebeu que o seu negócio era música?

Sempre gostei de música mas nunca pensei que fosse viver de música. Fiz faculdade na UFMG, sou formada em Relações Públicas, trabalhei na área e gosto muito de Comunicação em geral. A música ocupava um espaço de quase hobby na minha vida e de repente passou a tomar mais tempo do que eu previa. Foi tudo muito gradual.

4) – Lembro-me que ouvi pela primeira vez o seu trabalho numa fita k-7, onde você tocava com a banda Data Vênia. Inclusive nesse k7 havia uma música que você gravou com o Pato Fu que se tornou um grande sucesso. Já no Rock Pira III ,você se apresentou com a banda Fernanda e os 3 do povo. Me mate uma curiosidade: esse nome Fernanda e 3 do povo foi criado na época, no improviso para participar do Rock Pira ou não tem nada a ver?Como foi a formação dessa banda? Estou enganado ou o Bob Faria tocou com você no Fernanda e 3 do povo?

Naquela época o Data Vênia já não existia mais. Sim, colocamos esse nome só pra essa apresentação. Não queria fazer um show solo... O Bob Faria tocava com a gente. Ele e o John tiveram uma dupla por algum tempo: Sustados Por Um Gesto. Eu até toquei numa das formações, quando virou trio. Logo depois, Bob saiu e John chamou o Ricardo. Daí surgiu o Pato Fu que lançou os dois primeiros discos com essa formação.


5)– Se não me falha a memória, o Koctus que faz parte do Pato FU hoje, naquela época tocava numa banda chamada Náuplio. Imaginava até que vocês haviam se conhecido no Rockpira, mas li num site que se conheceram na loja do John, onde parece que o Koktus também trabalhava, A segunda opção é que é a correta?

A gente já se conhecia da loja do John. O Náuplio era a banda do Jorge Amaro, baterista e designer que foi meu sócio numa pequena agência de publicidade.

6) – A banda Pato Fu é uma das mais diferentes do Rock Brasil, que não freqüenta tão assiduamente o cenário comercial, sendo considerada mais cult. Vocês estão satisfeitos com essa condição ou gostariam de ser mais populares ?

Somos uma banda de 17 anos de carreira. Tivemos momentos bem populares, com várias músicas tocando em rádio, novela, ganhamos discos de ouro, participamos dos maiores festivais do Brasil, fizemos turnê fora, mas hoje somos dos poucos artistas que podem frequentar a cena independente e também a das majors sem qualquer desconforto. Conseguimos uma autonomia de produção para nossos discos que nos deixa muito seguros quanto à continuidade de nossa música. Gosto da discografia que construímos e das coisas que saem com nossa chancela.

7) – O pop rock brasil que toca nas rádios hoje em dia, anda dominado pelas chamadas bandas EMO. Como contemporâneos de compositores como Renato Russo, Cazuza, Lobão, Titãs, o que acham do atual cenário: opção da mídia de massa pelo que supostamente vende, entressafra criativa, opção do próprio público jovem por mais diversão e menos conteúdo ou nenhuma das alternativas?

Sempre se critica a cena atual...na época em que começamos éramos criticados também. Se dizia que não haveria mais bandas tão legais quanto Paralamas, Titãs... mas o país produz muita coisa boa e vai continuar a produzir. Se os grandes meios não dão muito espaço, hoje temos a internet como aliada pra dar mais visibilidade a novos e velhos artistas. O público que gosta de ter mais de uma fonte de informação vai achar coisas legais. Quem só ouve uma rádio jovem, vai ficar com as mesmas 30 músicas rodando na cabeça.

8) – Para vocês que vivem linkados no que acontece lá fora, pensam que lá, como aqui, o cenário anda estagnado?

Não penso que o cenário esteja parado criativamente falando. Continuo a comprar discos interessantes e a ver muito artista novo aparecendo. Tanto aqui quanto lá fora. O que existe é uma dificuldade em se gerar receita com a música que se faz. Quem não se apresenta em shows, praticamente não tem renda. Quem vive só de direitos autorais e não é um grande nome, enfrenta a falta de prestação de contas generalizada. Isso é cruel. As pessoas tinham que viver dignamente de suas criações.

9) – Qual a mensagem mandariam para as bandas novas que estão começando a tocar, cheios de sonhos e idéias na cabeça ?

Costumo dizer que as bandas novas não precisam de ninguém dizendo pra elas o que devem ou não fazer. Os erros e acertos na carreira sempre acontecem de um jeito diferente pra cada um. Formatar o som pro que as pessoas estão ouvindo também é um erro. É incrível mas muita banda me pede pra ouvir o CD e dar sugestões sobre repertório, jeito de cantar... Acho que cada artista tem gostar muito e acreditar na sua música, sem ficar mudando aqui e ali por causa do mercado. Tem que dar uma chance à música como ela é. E ter uma boa dose de acaso.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

FERTILIDADE MUSICAL DE ALVINÓPOLIS


Banda Sistema Confuso - novíssima geração

A economia de Alvinópolis produz prioritariamente 5 produtos: tecidos, cosméticos, produtos agropecuários, mulher bonita e música.

Como a coluna é sobre cultura, vou me ater ao último item.

Se buscarmos as razões históricas de tanta efervescência musical, retornaremos ao inicio do século passado, quando já havia na cidade músicos extremamente virtuosos, que formavam grupos de jazz, chorinho e de música instrumental de cair o queixo

Depois, veio a onda dos conjuntos de baile, como o famoso “OS MORCEGOS”, fundado por Vidrilho, tendo como componentes Humberto, Tão de Ruão, Lete, Ze Carlos Paulo Cesar,Franklin Barcelos e Paulo Nicolau, os HELTONS, 007, com músicos fabulosos como David de Cindinha, Neguinho, Julio Papa, Zé Resende, Jorge de Nêgo, Nicolau, José Mauro, Gomes, Branco, Cuca, Letícia, Ronaldinho Fango, Vicente, entre outros.

A terceira onda já veio com os Festivais de Música. Se já havia o gosto pela música, pela primeira vez os Alvinopolenses acordaram para o fato de que podiam fazer suas próprias canções e pintou a geração dos compositores. Até houve um movimento anterior de compositores principalmente de marchas carnavalescas e de dobrados e peças para banda, mas nada comparado à efervecência gerada pelo festival.

Os festivais são importantes, na medida em que possibilitam uma interação maior e o aperfeiçoamento técnico dos artistas locais, no contato com outras culturas.

Como consequência do festival da música, nasceu o grupo Verde Terra da cidade, que saiu pelo estado afora e faturou cerca de 40 prêmios, inclusive em Monlevade, no ginásio do Grêmio lotado. O Verde Terra chegou inclusive a lançar o LP “Nós, os loucos” em 1987, o primeiro lançado por um artista local.

Só que após mudar-se para Belo Horizonte, o compositor do Verde Terra, acabou conhecendo músicos de várias partes do país e montando a banda de rock República dos Anjos, que de certa forma, também nasceu em Alvinópolis.

O Festival ainda gerou muitos outros filhos e movimenta a cena local o ano inteiro.

No festival também apareceu pela primeira vez a artista Alvinopolense Márcia Prímola, que tem se apresentado em várias cidades do estado sempre com muito sucesso.

Podemos citar ainda várias bandas que se formaram por causa do festival, como a banda de Reagae Black Swing, que inclusive chegou a vencer um festival de Rock realizado pela prefeitura de Monlevade, além dos Protótipos Mentais e dos Católicos Protestantes, que depois iriam se transformar no Pau com Arame.

Na realidade, tamanha ebulição, também deve ser creditada a outro fator: a escolinha do professor Rogério. Trata-se de uma escola de música totalmente anárquica, onde o professor Rogério não dá aulas da maneira convencional com partitura e teoria, mas ensina aos alunos exatamente o que querem aprender. Vão direto pro laboratório-estúdio e já tocam desde o primeiro dia de aula. A escola do Rogério é uma verdadeira fábrica de músicos e quem entra rapidinho aprende a tocar.

Para que se tenha uma idéia da exuberância da cena local, no festival de música deste ano pintaram dezenas de artistas locais: Banda Ponto Morto( média de 12 anos); Banda Case( só adolescentes – ganharam prêmio de melhores intérpretes do festival); Mariana e Julia ( duas meninas também adolescentes hiper afinadas); Banda Simulacro ( fãs do Radio Head); Banda Fator Alma. Lado B do Porão, Vovó Piluca, Banda Sistema Confuso, Thulio, Luluth e turma, além dos Sertanejos do Thiago e Admilson. E olhem que algumas bandas não tiveram como participar, como a já veterana Kalamidade Pública, a banda Black Morro, a banda de pagode raízes do samba, entre outras.

Sou até suspeito pra falar, pois sou de lá e de bebi muito daquelas águas.

O grande problema é que as bandas locais não tem onde se apresentar.

Em primeiro lugar, porque a grande maioria gosta de tocar Rock e como já falei por aqui, o público hoje está preferindo outros gêneros como sertanejo e funk. Assim, quem tem tido um belo mercado na cidade é a dupla Thiago e Admilson, que tem agenda cheia.

Já as outras bandas, passam o ano inteiro aguardando o festival e ensaiando ou tocando no colégio, com equipamento ruim e estrutura pequena.

Por isso, eventos como o Rock Pira, são importantes para dar vazão a tanta energia jovem e movimentar a cena, provocar faíscas, acelerar os átomos. O rock é necessário, minha gente. No dia que a juventude perder a capacidade de se indignar, estaremos perdidos.

Por isso, já estamos pensando até além, em fazer do Rock Pira um festival itinerante, levado a várias cidades para abrir espaço para as bandas locais e movimentar a cena.

Mas para isso, precisamos da participação da galera. Entrem no blog, deixem a opinião de vocês, não deixem as pedras dar limo.

Por falar nisso, para o próximo artigo, vai rolar uma entrevista com uma banda muito bacana, que faz parte da história do Rock Pira. Até lá...

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

ROCK PIRA III - ROCK É CULTURA !!!


Já houve um tempo em que a juventude se interessava e se preocupava com o que acontecia na política e no meio em que vivia. Foi assim nos anos 60, quando participava ativamente dos movimentos contra a guerra do Vietnã, quando saia em passeatas pela paz em todos os cantos do mundo,quando pintava a cara pela volta da democracia no Brasil, enfim, a juventude era rebelde,engajada,contestadora. Parece que os novos tempos, ao mesmo tempo em que trouxeram grandes revoluções tecnológicas, como a afirmação da internet como maxmídia difusora de informações, trouxe também um grande vazio de conteúdos. Essa mesma juventude que manipula os computadores com tanta familiaridade, recusa-se a participar da política, não se importa com o que acontece em seu tempo e se alheia, se aliena cada vez mais do mundo.

Pois num evento como um festival de pop rock existe uma enorme oportunidade de diálogo, de interação e de entendimento. O rock e a cultura jovem não podem ser mais encarados como negativos, que só atraem drogados e comportamento inconvenientes. Por isso, a realização do RockPira terá a virtude de dar uma sacudida nos corações e mentes, cutucando fundo essa inércia, provocando a juventude para que se manifeste, chamando a geração do futuro a assumir e exercer o poder.

Fazer o Rock Pira III, 20 depois, é muita responsabilidade e um grande desafio. Primeiro, por retomarmos um projeto tão importante, isso numa época em que outros gêneros como sertanejo ou funk dominam o mercado. Segundo por ser o primeiro festival de pop rock do novo milênio em nossa região, que demandará não só ser uma mostra de rock, mas incorporar outras manifestações da cultura pop, bem como servir de fórum onde possam ser debatidos assuntos de interesse da juventude. Nessa nova edição do Rock Pira, além de abrir espaços para a criatividade da juventude, revelar e difundir novas bandas, pretendemos abrir espaços para o debate de idéias, com temas como os direitos autorais e pirataria na internet, descriminização das drogas, sexo, filosofia, ecologia e desenvolvimento sustentado. Pretendemos também transmitir o evento via internet, dando visibilidade a cena musical não só para a região, mas para o mundo inteiro.

Novamente a cidade de Rio Piracicaba é a escolhida, não só em função do “Pira” de Piracicaba ter tanto a ver com rock (piração), mas pelo fato da cidade já ter sediado os dois primeiros eventos, sempre com excelente acolhida e também por sua boa estrutura de serviços, um excelente parque de exposições, enfim, uma cidade estratégica na região.

É preciso deixar claro que estamos na fase de elaboração e formatação do projeto, análises de viabilidade técnica e econômica, pesquisa para montagem de equipe, definição de orçamentos, prêmios, regulamento e datas. Não sabemos nem mesmo se a conseguiremos viabilizar o projeto em Rio Piracicaba, uma vez que ainda nem conversamos com as autoridades e instituições locais. Mas se notarmos que está muito difícil realizar o evento por lá, levaremos o projeto para outras cidades podendo até se tornar itinerante, pois sabemos que os festivais de rock tem grande relevância sócio-educativa e abrem importantes janelas de exposição para os artistas que não tem tido espaços para mostrar seus trabalhos

(Parte do texto que vocês estão lendo faz parte do argumento do projeto. No próximo artigo abordarei o fenômeno da cena musical de Alvinópolis, uma cidade pequena que tem mais de 20 bandas. Depois, retomarei o tema ROCK PIRA)

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

ROCK PIRA – O MAIOR FESTIVAL DE POP ROCK DA REGIÃO

FERNANDA TAKAI NO ROCKPIRA III - ANTES DE SER FAMOSA

Há 20 anos atrás acontecia em Rio Piracicaba o mais marcante festival de Rock aqui da nossa Região até então: o Rock Pira I. Nesta primeira edição em 1989, tivemos várias bandas principalmente de Itabira, com participação especial do grande guitarrista Português Phil Mendes, do grupo DZB de Nova Era e de João Gera com a sua banda, entre outros.

A segunda edição em 1990 aconteceu na Chaminé. Um palco foi improvisado, mas o clima ficou bem rock mesmo, bem bacana. Desta vez, muitas bandas da região também e as participações das bandas Náuplio de Belo Horizonte, Poseidom e Apolium de Itabira e mais uma vez contando com a brilhante participação de Phil Mendes.

Mas foi em 1991 que o festival realmente fez história. Participaram novamente as bandas Apolium de Itabira , DZB de Nova Era e Náuplio de Belo Horizonte, mas pintaram outras atrações muito interessantes, como a banda Kaya Devas, com seu rock progressivo e letras viajantes, a banda Tatwa, cover de Cazuza e Barão Vermelho,a Performance Band, cover do Pink Floyd a banda República dos Anjos, deste que lhes escreve, as bandas Católicos Protestantes, Express Band e Kamasutra e uma tal de Fernanda e 3 do povo.

Bom, mas muitos podem perguntar: Fernanda e 3 do povo? O que é isso?

Então deixa eu contar uma historinha pra vocês. Nessa época, eu havia encontrado com Dimdão, que estava organizando o Festival. Aliás, fiquei conhecendo o Dimdão nessa época, pois ele era amigo do Angelo da Krawy, que estava fazendo os cartazes e a logomarca do Festival. Dimdão me falou sobre o festival, com aquele entusiasmo que lhe é peculiar e me perguntou se eu não tinha umas bandas diferentes para indicar.

Naquele mesmo dia eu havia recebido de presente uma fita k7 de uma banda, com uma cantora que tinha uma voz muito afinada e estava curtindo bastante o som. Quem me presenteou com o k7 foi o guitarrista Guilherme Fonseca, que havia tocado guitarra em algumas das músicas com a cantora que tinha um nome que parecia de Japonês: Fernanda Takai. Guilherme me contou que ela havia chegado a Belo Horizonte a pouco tempo, vindo de Belém do Pará e que estava se apresentando acompanhada de uma banda chamada Datavênia. Mostrei o k7 para o Dimdão que também gostou bastante do som e me perguntou se eu não faria a ponte para que ela se apresentasse no RockPira. Assim foi feito. Tudo armado, mas parece que a Fernanda parou de tocar com a Datavênia e teria de recrutar outros músicos pra tocar com ela no Rock Pira...e assim foi feito. No dia do evento, o público mesmo foi médio. Embora fosse época de festa do Jubileu em Rio Piracicaba, só o pessoal que realmente curtia rock apareceu. Mas quem foi teve a oportunidade de apreciar shows de todos os estilos, desde o Heavy Metal do Apolium à doçura da Fernanda. Ah...uma coisa interessante também é que quem acompanhou a Fernanda tocando baixo foi o hoje comentarista da Rede Globo, Bob Faria.

Nesse festival também, houve o encontro da Fernanda com Ricardo Koktus, que toca com ela no Pato Fú até hoje e com o John, com o qual inclusive se casou ( inclusive, estamos tentando uma entrevista com a Fernanda para a coluna).

Achei importante contar essa historinha para que se possa entender como os festivais tem o poder de gerar grandes coisas, de fomentar a interação e de dinamizar a cena musical.

Então vai uma boa notícia: estamos planejando para breve o ROCK PIRA IV – O MAIOR FESTIVAL DE POP ROCK da REGIÃO. Deverá ser uma mostra competitiva, onde cada banda participante poderá inscrever suas músicas, nos estilos POP ROCK, que dizer, pode ser Reggae, ska, Samba Rock, Dance, Eletrônico, Heavy Metal, Punk. Gótico, Emo, Hard Rock....leque aberto em termos de Pop e de Rock. A única exigência é que a música terá de ser em português. Ainda estamos trabalhando no projeto e assim que estiver prontinho, vamos partir para a criação da logomarca, negociação com patrocinadores, enfim, tomar as iniciativas cabíveis para viabilizar o evento. Ainda não podemos adiantar sobre data nem local ao certo, mas só alertamos à galera pra já ir preparando suas músicas. Estamos avaliando também qual será a premiação para os ganhadores, que pode ser a gravação de um single em um estúdio top em Belo Horizonte, até premiações em dinheiro, divulgação em rádios parceiras, no jornal bom dia, enfim. Na próxima semana estarei falando mais especificamente sobre o ROCK PIRA V. De qualquer maneira, desde já estamos abertos a sugestões e colaborações . Enviem seus emails para marcos.martino@gmail.com e vamos trocar idéias.